O começo de tudo

As chuvas do verão de 2011 foram avassaladoras para a região serrana Fluminense, deixando seu rastro de destruição em Vieira onde está localizado nosso sítio. 

Convivemos com histórias de sobrevivência e de perdas. No sítio, houve deslizamento de pedras e terra, atingindo a mata e as colmeias. Dessa movimentação ficou uma clareira com solo fértil que nunca havia sido cultivado. A esta clareira se agregou o platô destinado ao lazer equestre e assim demos inicio a nossa produção de hortaliças orgânicas.

A decisão seguiram-se muita pesquisa e estudo de nossa parte, orientação do engenheiro agrônomo e a experiência da Leia de lidar com a lavoura desde a mais tenra idade.

Adubar a terra com compostagem, abrir covas no meio da braquiária para plantar feijão, usar cobertura morta para proteger o solo, na mesma área diversificar os cultivos, usar sal, pimenta e sabão diluído em água como defensivo é coisa de doido, mas à medida que Leia ia usando essas novas técnicas de plantio, vimos que estavam dando certo.

Algumas de suas falas cabem ser registradas.

“Não acreditei nessa mistura não, defensivo a base de pimenta !!. Estava acostumada a passar veneno na eira e quando voltava os pulgões estavam no chão. Esse nem fez cosquinha.  Mas, no dia seguinte as folhas estavam limpas.”

“Não sei se fiz mal. Não me segurei. Antes de estar pronto coloquei um pouco de composto no vaso de beijos (flores) para experimentar e olha como este está mais bonito que o outro que não coloquei nada.”

“Nossa !! é muito bom acabar de passar o o defensivo e poder chegar em casa e almoçar. Antes, morta de fome tinha que  tomar banho e ainda almoçava com cheiro de veneno.”

“Patrão, nós somos doidos. Enquanto os outros pagam diária para roçar a lavoura nós estamos pagando para plantar aveia.”

“Coloquei capim seco nas minhas roseiras, olha como elas estão vindo bem.”

O investimento inicial foi alto, mas o sucesso dependeu de Leia, aliada que não teve medo de ousar, experimentar, estudar e embarcou nas “maluquices” do patrão.

Já estávamos contaminados com a ideia do cultivo orgânico.

Wagner e Susana